terça-feira, 28 de junho de 2016

SOBRE A DOR

Hoje olhei para uma cicatriz que tenho em meu joelho e lembrei de quando eu era pequena e estava a correr pela calçada, tropecei e caí no chão. Olhei para o meu joelho cheio de sangue e achei que aquilo era dor.

Um tempo depois, tive aquele momento "criança com enxaqueca" e eu pensei que aquilo sim devia ser dor, porque doía, mas eu não conseguia ver.

Depois senti a dor dos outros através da TV. Brigas e fome e guerra e morte e sofrimento. Aquilo sim era dor. A dor da esperança diminuindo.

Já adolescente, alguém quebrou minha confiança e aquela dor foi pior que todas as outras anteriores.

Alguns anos depois, meu pai veio a falecer e eu me convenci de que aquela era a pior dor do mundo, porque não havia remédio que curasse aquela perda e o tempo apenas anestesiou parte daquilo que eu atribuí como a definição de dor.

Pouco tempo depois, vi minha mãe chorar diante das dificuldades que a vida jogou no nosso caminho. E junto com as lágrimas dela eu senti meu coração remendado partir mais uma vez. E a imagem do sofrimento da minha mãe me fez associar isso à palavra "dor".

Hoje em dia não consigo mais definir o significado de dor.
Mas aprendi que a intensidade dela (da dor) é proporcional à intensidade do amor que sentimos.
Nenhuma dor se sobrepõe aos momentos bons que vivi, às pessoas que amei, os momentos felizes que guardo até hoje.
E mesmo com todas as dores e cicatrizes, não me arrependo de ter amado tanto.

- Nathalia Shimazaki