quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

POR QUÊ A PRESSA?

Foi com esta imagem de piada internética que um assunto me veio à mente e decidi colocar aqui essas ideias...

A figura é cômica, e satiriza o hashi (varetas usadas como talheres no oriente) e seu uso comparando com um garfo. Quando amigos me mandaram via Whatsapp eu deveria rir, mas não consegui. Me lembrei na hora sobre outras coisas que eu discutia com amigos por esses dias.
A questão é: o hashi pega pouca comida de cada vez comparando-o ao garfo ou à colher. E a sátira realmente mostra nossa agonia, nossa pressa, nossa falta de paciência em realmente aprender coisas novas. Parece que tudo tem que ter um resultado imediato! Quem hoje em dia investe tempo em algo qua não lhe dará um retorno imediato, principalmente financeiro? Sim, há os que o fazem mas somente após se convencerem de que é preciso desacelerar para que a vida não passe, e sim flua. É preciso investir tempo para aprender a manusear bem o hashi; mas "para quê irei aprender a comer com esses trecos"?!? "Para nada, apenas por aprender" não parece uma resposta satisfatória quando tudo o que se faz é baseado na imediata aplicação.

E pior: Para quê eu aprenderia a comer com hashi se no quesito tempo eu perderia para a agilidade e quantidade de comida por minuto da colher (Eu ri escrevendo isso... rsrsrsrsrs!)?!? Realmente não conseguimos ir mais devagar nem quando é necessário... hora de se alimentar deve ser calma e serena por vários motivos, entre eles o descanso de corpo e mente das atividades e a correta mastigação e digestão dos alimentos.

Hoje, inspirado pelo hashi, eu vou preferir desacelerar. Este é o convite deste modo de ser oriental hoje para mim. E quem sabe eu não traia meu modo metropolitano de viver mais uma vez e tire um cochilo como os indígenas após almoçar - com meu hashi?

O convite está feito! Bom proveito para nós!

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

SOCIEDADE E SEUS TALENTOSOS!

Já faz algum tempo que não escrevo, e neste retorno trarei à público uma simples reflexão vinda de minhas experiências recentes.

Como sabem, sou músico - Kalil "Rock" Bentes - e praticante de Karate no estilo Kyokushin Budokai, dois sonhos que consigo vivenciar. E por mais que eu não imaginasse durante a juventude, essas duas áreas carregam muitas semelhanças entre si sob diversos aspectos. Vejam só:

* TALENTO NATURAL x TREINO CONSTANTE - em ambos encontramos aquelas pessoas que desde muito cedo tem facilidade em desenvolver as técnicas e já encantam os que os assistem. Fato é que tanto na luta quanto na música, aquele que não tem uma rotina de repetição muitas vezes cansativa e maçante, nem um hábito de pesquisa e aprofundamento no assunto, embora faça bem determinadas coisas nunca chega a criar algo novo, sendo apenas um copiador/repetidor com pré-disposição física e mental; mas que rapidamente é superado por aqueles que se esforçam, pois sabem que não podem depender do talento natural. Como consequência, o grupo dos esforçados tem uma vivência muito maior, o que os capacita a serem mestres que tem didática para guiar outros discípulos.

* OS PRATICANTES SÃO ADMIRADOS - sim, pois fazer algo como katas firmes, cantar de maneira interpretativa e afinada, desviar de um golpe e nocautear num contragolpe fulminante ou fazer solos expressivos de guitarra é fora do comum, e tudo fora do comum encanta ("...e que os encantos nos movam!" ;) )

* SÃO DESPREZADOS PELA SOCIEDADE DE CONSUMO - sim, há um rancor no inconsciente coletivo com aqueles que costumam trabalhar, "ganhar a vida" fazendo o que amam, gerando felicidade para si próprios e para os que os admiram! Sim, parece difícil para as pessoas aceitar que muitas trabalham sem o estresse de cobrança de horários, relatórios, que acordem em horários diferentes, que cochilem durante o dia... a sociedade precisa que você "produza" de acordo com os parâmetros da indústria, para que você consuma e o ciclo vicioso nunca se interrompa; você por seu lado se recente dos que tentam viver de maneira mais amena (vide o clássico rancor paulistanos versus cariocas). E isso tudo de maneira inconsciente na maioria das vezes, pois os recentidos concientes geralmente de alguma forma alcançaram o "degrau de cima", onde controlam e lucram esmagando os sonhos e talentos.

Bem, existem outras semelhanças mas deixarei para uma próxima oportunidade, já que meu último ponto é quase que "the treta has been planted"!

Grande abraço, obrigado pela leitura, e acompanhem também lá pelo Facebook neste link!