sexta-feira, 30 de maio de 2014

SOB A LUA

À noite sob a luz lunar a rua foi palco de um espetáculo solo,
Misto de drama e aventura;
A luz incidia sobre a personagem de baixa feição,
Iluminando o espaço de seus passos apenas.
Num pulo ela estendeu os braços,
Alcançando a luz que escapou por seus dedos,
Caindo de joelhos... em indecisa agonia: chorava ou sorria?
Apenas andou, sorriu e chorou,
Soube que nada traria alívio a não ser o sono;
Assim a vi no reflexo da janela enquanto abria a porta,
Ansioso almejei pelo momento em que te veria, te alcançaria, e não te perderia entre os dedos.
Momento em que simplesmente te teria.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

FRAGMENTOS DE UM CONTO - CONSEQUÊNCIAS

Ele naquela tarde acordou do preguiçoso cochilo pós-almoço, pronto (nem tanto...) para mais uma sequência de aulas.
Atrasado.
Pensou que se houvesse colocado o relógio para despertar teria mais tempo para se arrumar naquela tarde chuvosa...
"Anta!" - sussurou para si mesmo enquanto penteava o cabelo ao mesmo tempo em que procurava o guarda-chuva e sua botina. Tudo feito, lançou-se ao tempo frio e úmido - um charme da capital paulista que o fascinava, fazendo-o recordar das tardes parecidas que tinha com sua mãe, enquanto ela passava roupa, culminando num lanche de pão com manteiga e café com leite, com participações especiais e ocasionais de biscoitos água-e-sal.

Assim o levou o dia. Findadas todas as tarefas, voltando para o conforto do lar pensou que cada coisa que se faça sempre levará a uma consequência - seja ela grande ou pequena. Tipo assim, ao passar o pé esquerdo à frente o direito ficará para trás. Normal. Mas o que o instigou são as até certo ponto incontroláveis consequências dos atos. Lembrou do ótimo filme "O Estranho Caso de Bejamin Button" onde Benjamin pensa numa cadeia de acontecimentos que levam sua amada a sofrer um atropelamento que dá fim à sua carreira de bailarina.

Consequências.

Parou. A poucos passos de casa parou, e quis parar de pensar neste caos de consequências. E parado gostaria de chegar a uma boa conclusão, não de fato conclusiva mas que desse sentido a toda divagação do dia. Achou um bom ponto:

Ele dava aulas, era professor. Não era apenas isso, mas as aulas eram a principal fonte de renda. Pensou no quanto ganhava com isso e que poderia ganhar mais, mas não ganhava - porém era feliz, e sentia alegria em lecionar.

Consequências.

Impossível é domar o leque de desdobramentos de cada ato. Temos que lidar com as consequências a cada instante. E se as consequências dos atos forem em última análise ser feliz ou fazer alguém feliz, cada pequeno ato, cada renúncia, cada dificuldade... sempre valerão a pena!

Afinal, o sentido da vida é a felicidade.

Dormiu satisfeito, como há muito não dormia.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

TEORIA DA RELATIVIDADE HUMANA

Não fosse pela ausência, como quereria a presença? Por mais que incomode, é na carestia que ganha sentido o suprimento.
É diante do zero que o um se torna bastante.
É pela distância que os cheiros eternizam seu vinco sensorial, assim como o choque dos olhares arrepia quem não os via.
Desta forma também os sons só ganham estado musical se acompanhados de silêncios (notas e pausas).
A vida só é percebida pela iminência da morte.

Em tudo vejo reatividade. Se apenas houvesse o bem, não haveria bem algum por assim dizer, apenas um estado neutro. A palavra "bem" ganha sentido confrontada com a "mal". E se vejo, é porque antes não via: a relatividade das coisas foi me apresentada, deixou-se perceber por mim, e assim passou a existir no mundo que sou embora sempre existisse no mundo em que estou. E nesta frase vejo superior expressão da língua portuguesa à inglesa, pois na linha anterior apenas expressaria o "am" para ser ou estar, condicionado ao "who" ou ao "where" para dar-lhe sentido.

Mas não significa que os estados sejam necessariamente crônicos; um casal que vive afastado em residências distintas aprende o valor da presença pela saudade e busca o momento não apenas de aplacar a carência, mas de coabitar e findar a ausência.

E assim desenrola-se mais um drama humano. E a percepção busca a cada momento dar sentido à vida, descobrindo relatividades em coisas ainda não tocadas.
É o momento onde fé, ciência, poesia e filosofia se beijam num escrutínio de dar gosto, levando o homem cada vez mais ao seu destino desde que descobriu que sabe.

"O homem que sabe que sabe"

Pois antes de descobrir que sabia, não havia sapiência. Não havia sentido na palavra.
Logo, o homem resignificou-se.

E continuará a se dar significado enquanto pensar e relativizar.

terça-feira, 13 de maio de 2014

ROMANTISMO PARA MIM

Estariam ancoradas as horas
Difíceis de passar, de serem degustadas,
Se não houvesse tua presença.
Teu cheiro, teu olhar... o toque macio de tua pele,
É o que me leva a navegar pelas ausências...
O vale criado entre os momentos em que estou à sua mercê!
E justamente são esses os momentos que se liquefazem entre meus dedos, escoam e aguardam que eu os recolha,
E os resuma em tuas risadas,
Teus sorrisos,
Teu toque...
Que me perdem de mim para no instante seguinte me atirar de encontro ao normal.
Me salve! Me resgate!
Para que o próximo momento em tua órbita,
Seja cada vez maior... até que se torne tão grande quanto nós.
Maior que o vale,
Seu positivo oposto,
Um aplainado agora,
Para estar diante de ti.
E nada mais.
Apenas você.

SOBRE EGOS E O MUNDO

Sempre que olho para mim,
Há dias que reluzo,
Que pulo e sorrio;
Em alguns outros me embaço,
Manco, e tenho o olhar baixo...
É o resultado de me ver: sempre há momentos díspares.
Mas, quando olho em torno,
Dou uma pequena olhada, e percebo outro mundo,
Cheio de outros mundos,
E vejo que há anos é tudo sempre igual!
Mudam os métodos e as maneiras,
E tudo parece seguir uma ladeira descendente...
Ontem houve um grito desesperado,
Anteontem cobriram um terreno com concreto...
Hoje eu percebo o caminho,
Amanhã estarei eu nele.
E não importa se o meu mundo vai bem,
Não importa também se o teu mundo vai mal,
No fim todos seremos tragados pelo declive por termos tratado aos outros não como um pedaço de um todo,
Mas erroneamente achado que apenas o eu bastava...

quarta-feira, 7 de maio de 2014

THE LONE LOBO


Barking at the moon, waiting for the sun
Some friends, one love,
A lot of passions, a single and lonely way.
Being happy, doin' it good,
The Lone Lobo will keep rockin'
Until the touch of death,
Kissing the lips of life.

REFLEXÃO DA MADRUGADA

As pessoas conseguem ser especiais de diversas formas: Umas se tornam empresárias; outras exercem liderança política. Algumas conseguem fama... Há aquelas que constroem uma grande família. E entre todos esses há aqueles que escutam, que se preocupam, que agem com carinho, que são hospitaleiros, que nos olham com doçura, ternura e carinho...

Enfim, percebi ao perder o sono hoje que não é difícil ser especial para alguém: basta sair um pouquinho do nosso impulso de cuidar de nós próprios e reparar no que acontece em volta.
Quando a gente faz isso, nos tornamos especiais e melhor ainda, damos a chance para que outras pessoas se tornem especiais para nós.

Reflexões que a madrugada proporciona...

quinta-feira, 1 de maio de 2014

MOMENTO MELÓDICO

E outro dia chegou ao fim
E o fim trouxe consigo o início
A noite sorriu medonha
Mas só para quem não a conhece...
E na troca de ciclos
Cordas soavam seus harmônicos
Tênues como ar
E tão presentes quanto...
Às cromáticas melodias
Somaram-se ruídos de calos e palheta
Mas para quê contar?
Se o som que rolou nunca mais voltará?
O momento se perdeu
A noite esfriou
Os sons cessaram
E a lembrança se encarregará
De na próxima tarde reproduzir de maneira imperfeita
Uma cópia dos sons
Imperfeita cópia
Mas um outro momento único
E por isso perfeito.