quarta-feira, 2 de abril de 2014

O TEMPO

O tempo é curto, sempre curto
Nada pode torná-lo mais extenso
Nenhuma medida parece ser eficaz para domá-lo
Nada do que façamos o domina
Apenas aceitar e buscar conviver
Apenas ver e buscar entender
Se o vemos passar, por qual ótica o vemos?
Seria de uma prisão, seja lá qual for?
Independente de qual grilhão nos prenda?
Ou uma ótica livre, solta?
Tenho o visto passar por mim
E passar sem se despedir, ou ao menos anunciar chegada
Vem, me desperta, e logo evapora
Em alguns dias ele até volta
Sem ser anunciado
Num desses dias me suga e exaure
Noutros me plenifica e transborda
O tempo age conforme me encontre
Por isso, da próxima vez que eu o encontrar
Quero estar respirando fundo
Com total fôlego
E quando ele passar
E almejar voltar
O terei visto do alto de minhas faculdades e atribuições
Terei feito muito, terei me tornado muito
Serei essencialmente eu
Mas substancialmente outro maior, melhor
Mais cheiroso, mais intrépido
Beijarei sua face e direi: "meu amigo, até breve!"
E assim até ele se apresentar cada dia mais curto
Até eu não caber mais em seus braços
E quando seu abraço não puder mais me envolver
Eu o abraçarei... e irei com ele
Pois os anos em que eu o tive, e que gozei ao lado de quem e do que amo
Terão sido suficientes
Sem mais a acrescentar. Pleno e alvo.