terça-feira, 22 de abril de 2014

LEITORES E ELEITORES - por Mauro Nogueira

Renovação verdadeira na política só vai acontecer quando todos os candidatos de um mesmo pleito nunca tiverem "pedido a cabeça" de jornalistas que os denunciaram, porque a relação entre políticos e jornalistas é um dos termômetros de uma democracia saudável.

Em regimes totalitários, não há liberdade de imprensa. Em democracias corrompidas, a liberdade de imprensa é corroída pelos conluios entre políticos e jornalistas. Se um político tem influência para deixar o jornalista desempregado porque o denunciou, por outro lado o jornal faz denuncias contra outros políticos que são inimigos dos seus políticos aliados, e esse jogo perverso só acaba quando todos pararem de praticá-lo.

Para tanto, é preciso que o leitor deixe de acreditar nos jornais. No Brasil, atualmente o leitor tende a acreditar na notícia de jornal à medida que nutre empatia e identificação ideológica pelo político, relegando a apuração e a evidência dos fatos ao segundo plano. E o jornal tira proveito desse critério irracional, e na maioria das vezes inadvertido, alegando uma imparcialidade que visa deliberadamente despistar o leitor.

Quem é idôneo não teme críticas, porém é fato que falsas denúncias têm tido peso decisivo nas eleições do Brasil pós-ditadura, pois até provar a inocência do candidato, as eleições passaram.

Quem sabe isso aconteça nas eleições presidenciais de 2018? Nas de 2014 alguns dos pré-candidatos têm jornalistas ora como aliados, ora como inimigos; depende do interesse.

Mas fato é que maus leitores são maus eleitores e bons leitores são bons eleitores.
Ah, é bom lembrar, não estou me referindo a quem não tem acesso às informações.