segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

INSTINTO, ADAPTAÇÃO, HUMANIDADE

A capacidade de adaptação é algo inerente à espécie humana, e faz parte de seu instinto de sobrevivência . Essa nossa capacidade é que nos leva sempre a buscar coisas melhores e também a nos adaptar a um clima mais hostil, a uma dieta diferente, a novas pessoas... enfim. Outros animais e plantas também usam esse traço instintivo para perpetuar suas espécies. E por assim ser, posso dizer que é algo comum aos seres vivos - digo não como biólogo, mas apenas como um curioso que lê e observa. E observo claramente isso em nosso comportamento diário: deixamos a casa dos pais e nos adaptamos ao sistema capitalista ocidental de produzir sempre; e para que isso aconteça, nos submetemos a condições de trabalho que não julgamos ideais, mas às quais nos adaptamos, para que "algo melhor" aconteça lá na frente. Não só isso, mas nas relações de amizade também nos adaptamos, geralmente de forma inconsciente, para que sejamos aceitos no grupo - e o grupo de amigos acaba tendo uma "cara comum", características que ligam aqueles membros, aqueles amigos. E creio nisso tudo como algo bom. Faz parte de nós, somos assim, e geralmente pessoas com distúrbios psicológicos não conseguem se adaptar ao meio em que vivem.

E aqui reside justamente o que diferencia o homem dos outros animais: é "sabermos que sabemos" em nosso nome científico ou tal como dito por Descartes, "Penso, Logo Existo". Temos consciência tal desses fatos que me encontro nesta manhã gastando alguns minutos refletindo sobre isso. E esta consciência de nosso lugar no mundo como indivíduos participantes de grupos, nos dá a capacidade não só de nos adaptar, mas de escolher a que nos adaptar. E é aí que mora a segunda parte desta reflexão.

Se uma pessoa nasce e cresce num determinado tipo de sociedade, ele é por ela educado. À priori em seu lar, pelos modos de sua família, e depois pela comunidade mais imediatamente próxima. E assim ele se torna parte desse "organismo". E como tudo o que é bom pode ser pervertido, a adaptação de uma criança ao meio de uma favela dominada pelo crime de uma cidade brasileira vai gerar uma pessoa de acordo com aquele meio, ou seja, violenta e por que não, com chances de se tornar bandida. Assim como colocando uma criança no meio de uma família e amigos dos familiares que tem um alto poder aquisitivo conseguido com falcatruas, desvios de dinheiro, superfaturamentos, será propensa a ser bandida também, seguindo o "modus operanti". Isso tudo por causa do seu instinto de sobrevivência expresso em sua capacidade de adaptação ao meio em que vive. Ou seja, determinismo. Será? Não!

A pessoa é um ser crítico de si mesma e do mundo. Ela pode examinar a tudo e chegar à conclusão de até que ponto ela pode ser conforme lhe foi sugerido pela sua comunidade, pelo seu ambiente de trabalho, pela sua fam韑ia e outras "rodas sociais". Aí o ser humano que se torna soberano sobre sua vida, sua história, e que se recusa a ser como o rio que segue seu fluxo determinado por sua calha e inclinações de solo. É como o peixe que enfrenta as corredeiras e nada ao contrario na época da desova. É o ser humano que desiste de ser apenas reativo ao que lhe acontece ao redor e se torna proativo. É a diferença entre "determinismo", "predestinação" e "livre-arbítrio" - e embora não seja aqui o assunto em pauta, em minha concepção aquilo que me afirma categoricamente a existência de Deus, que fez um ser "à Sua imagem e semelhança".

Então o que temos pra hoje é examinar o que temos à nossa volta e decidir o que é bom, o que é importante, o que é útil e como usaremos isso. Cada um de nós é um universo, um microcosmo onde pode reinar, bastando para isso ter consci阯cia de quem seja de fato e de que pode sim acertar as velas de seu barco para o levar na dire玢o que preferir.

Que nossas escolhas sejam sensatas e humanas.

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