quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

FRAGMENTOS DE UM CONTO - "FELICIDADE"

"Ele simplesmente olhou para o horizonte e estendeu a mão num gesto peculiarmente estranho. Parecia querer expressar o que o incomodava tanto durante suas meditações... Aquela linha degradada pelas silhuetas da cidade e do relevo serrano realmente era inalcançável.
Era o que ele queria medir, posto que o que buscava era apenas ser feliz... não havia outro anseio humano tão capaz de perseguir com tamanha avidez quanto a felicidade.

Mas, por que tão inalcançável?

Ele se sentou na calçada e o horizonte sumiu. Sentiu seu corpo relaxar, e apoiou as mãos para trás. Respirou fundo enquanto simplesmente usava alguns minutos de seu dia para matutar. Havia um sabiá enamorado de uma fêmea bailando nos cabos elétricos. E tudo o que sentia era bom.

Passados alguns minutos ele se levantou, teria um compromisso dali a 20 minutos. E assim caminhou pela rua calma, sem carros.

Ao fim do dia, ao refletir sobre os acontecimentos daquela tarde durante o banho frio, entendeu um pouco do que refletia:

A felicidade só é inalcançável se posta no lugar errado; ela nunca esteve no horizonte, num lugar onde desejamos ir e provavelmente nunca cheguemos. A felicidade deve ser colocada onde estamos, como quando ele havia se sentado na calçada. O horizonte utópico apenas serve para nos mover, para nos fazer almejar... Mas o que nos faz felizes certamente está perto de nós.

E com este princípio ele foi dormir. Feliz."