quinta-feira, 6 de outubro de 2011

A METÁFORA DO CARTEADO



Eu não gostava muito de metáforas, sempre achei que eram comparações entre duas coisas que não tinham nada a ver, e que serviam apenas para deixar as pessoas com cara de resignação. Eu ouvia muitas, como a da águia, que depois de um tempo de vida, se quiser sobreviver deve se isolar e decepar seu velho bico até que nasça um novo e afiado, útil para a caça. Quantas vezes vi as pessoas ficarem pensativas ao ouvir esta estoriazinha...
Pois é, eu não gostava até ontem, dia 5 de outubro de 2011, quando encontrei sem querer uma bela metáfora jogando Paciência, um jogo de cartas também conhecido por Solitaire (todo possuidor de uma versão do Windows já jogou, principalmente no escritório...).
Estava jogando com aposta de $52,00 (dinheiro fictício, hehehe!), onde virava-se uma carta de cada vez, sem chance de pegar as cartas passadas no monte novamente – padrão Vegas. Perdia muito, pois estava me faltando atenção e, curiosamente, paciência(!). Notei que estes meus erros fundamentais não eram a única causa das minhas sucessivas derrotas, e sim minhas escolhas. Por vezes perdi em lances deste tipo: havia um 6 vermelho no monte e abaixo duas pilhas com um 7 preto cada; teria que escolher uma das pilhas de cartas para colocar o 6 vermelho, e no decorrer do jogo, ficava com as cartas “trancadas”, sem ter para onde ir. Tenho quase absoluta certeza de que se a tivesse colocado na outra pilha, teria aberto meu jogo e “batido”!
Enquanto isto tudo ocorria, comecei meu diálogo com “O Homem no Espelho”; pensei que durante a vida, às vezes não “batemos” porque escolhemos errado. Mas, assim como no jogo, não sabemos muitas vezes das implicações das escolhas, só sabemos que temos que escolher! E, quando batemos, muitas vezes é porque escolhemos certo sem saber!
Então, vivemos uma randomicidade (eca! Me superei...) onde o sucesso depende de fatores como esforço, talento, indicação e CAGADA PURA! E, o pior, a CAGADA INVERSA, onde um cidadão pode ser talentoso, simpático, ter boas indicações e se esforçar, mas num determinado dia escolher não tomar café, e isso ser determinante para que um bom projeto seu não decole! É mole? E essas situações se desdobram em numerosas outras possibilidades...
Mas, será que estou sendo pessimista? Realista? Não, otimista não! Admito que a vida sempre nos reserva boas surpresas através de nossas escolhas – já pensaram se Steve Jobs (R.I.P.) tivesse a chance de passar tardes conversando com Sócrates? Talvez o mundo não tivesse um mouse, somente comandos de teclado! – mas devo levar minha metáfora adiante:

“SE VOCÊ APOSTAR E AS CARTAS NÃO SORRIREM PARA VOCÊ, SEMPRE HAVERÁ A POSSIBLIDADE DE EMBARALHÁ-LAS E COMEÇAR UMA NOVA 'MÃO'.”