domingo, 7 de agosto de 2011

REFLEXÃO ENTRE AMIGOS - Um conto sobre a liberdade.



 Enquanto Martin andava feliz com a aquisição de seu novo All Star um grande amigo seu, Jaques, o observava raciocinando sobre aquilo. Na primeira oportunidade Jaques o interpelou:
- Brother, você se acha livre?",
- Sim responde encucado.
- Você acha que o teu All Star é bacana ou sabe que é?
- Onde queres chegar, brou?
- A questão é saber se você gosta deste tênis ou simplesmente foste compelido, obrigado a gostar dele por pessoas que você nem imagina. Quero saber se há realmente uma vontade tua nesta compra ou uma reação positiva aos estímulos da mídia!
- Então o papo cai na questão do livre-arbítrio... O que você me diz?
- Sei não, mas me parece que se encantar tanto assim por um produto revela que não só você mas a maioria das pessoas no mundo têm suas escolhas manipuladas por outras interessadas em vender um produto ou uma idéia com a finalidade de lucrar ou assegurar controle. Nações inteiras podem ser coagidas à um tipo de escravidão pela sugestão das propagandas: compre isso, tenha aquilo, isto é bom, aquilo é ruim... Lhes é roubada a capacidade de escolha, o livre-arbítrio, e alienadas não reclamam de sua condição verdadeira; se reclamam é para que lhes seja dado mais remédios para que seu estado de coma induzido não seja interrompido; em outras palavras, pedem mais daquilo que pensam ser real e essencial.
- É verdade chapa, tenho que concordar. Mas como saber quem é manipulado e quem não é?
- Não sei... sinceramente. Mas e você? Se acha manipulado?
- Creio que de certo modo sim. Nossos gostos são moldados desde a infância por nossos educadores, e durante a vida pelos interesses daqueles que você citou. Mas, você precisa admitir que ter consciência desta manipulação e aceitar várias destas sugestões é uma demonstração de soberania da vontade própria! Se eu compro um produto ou aceito uma idéia após fazer uma boa análise crítica comprovo que, se não sou livre da influência da mídia, luto muito bem contra suas determinações. Estar num presídio definitivamente não faz de mim um prisioneiro.
- Martin, com certeza você não está atrelado nem aos meus argumentos!
E os dois foram embora em direção à uma loja para que agora, sem pesos na consciência Jaques comprasse um All Star como o seu amigo...

Kalil Bentes