terça-feira, 24 de maio de 2011

MEDO DO NOVO





Já tinha ouvido falar algo a respeito, mas nunca pensara sobre o medo que sentimos do novo, da novidade. Sim, descobri que não só sinto medo da novidade como também de largar a segurança do estabelecido, como todo ser humano, e isso em vários aspectos.

Musicalmente posso exemplificar com a minha relação com os timbres de guitarra. Gosto do som "vintage", "quente", produzidos por guitarras de ponte fixaou trêmolo Strato; dos efeitos em pedais analógicos, amplificadores valvulados... Não gosto de nada digital que se intrometa entre a minha guitarra e o amplificador. Mas para não trair minha consciência preciso perguntar-me: por quê é tão ruim usar efeitos digitais muderrnus? Aliás, será que eu deveria usar "diferentes" ao invés de "ruins"? O mesmo raciocínio posso aplicar aos instrumentos modernos. Será mesmo que uma Fender pré-CBS tem um timbre tão mortal que eu deva perder meu sono enquanto tocar com uma Jackson anos 90?

Confesso que foi um parto lento deixar de ser católico para abraçar a fé evangélica brasileira, seguido de outro quando abandonei a militância religiosa.

Percebo um incômodo quando nossos padrões que foram estabelecidos à ferro e fogo em nossas mentes, e que nos geram segurança, bem-estar, e que são defendidos a golpes de marretadas biônicas são confrontados pelos de outras pessoas, que também têm suas "vacas sagradas" para defender.

É importante analisar sempre nossos temores, de onde vêm e do que nos guardam, pois se por um lado nos protegem do perigo, por outro pode ser uma corda esticada sobre o abismo que nos separe da realização, do "Super-Homem", do SER absoluto, do novo, do imensurável mundo de possibilidades que nos aguarda ao abrir os olhos - mas não sem machucar nossa retina com sua luz forte demais para um diafragma flácido acostumado à escuridão.