quarta-feira, 30 de junho de 2010

A PARÁBOLA DO URSINHO MAMÔNICO


Fredegunda era uma pobre menininha. Vivia com seus pais numa casa de madeira em uma grande métropole, às margens do cuidado e condições mínimas de vida digna e de um corrego fedorento.
Durante seus dias, Fredegunda tinha para sua companhia um ursinho feito de retalhos por sua mãe, e recheado de mamonas, carocinhos espinhentos que crescem fácil neste tipo de ambiente.

Fredegunda brincava com o "ursinho mamônico" durante o dia, e à noite dormia agarradinha com ele.

Fredegunda foi crescendo, e ficando mais pesada; seu peso começou a fazer com que os espinhos das mamonas atravessassem os retalho dos quais era feito o ursinho, e a incomodassem durante a noite. Ela nunca tinho visto um bichinho de pelúcia, e tinha um carinho muito grande pelo seu "ursinho mamônico".

Num destes dias, chateada por ter sido tão espetada pelo ursinho, deixou-o de lado e resolveu que não queria mais isto. Passou a noite mais fria e solitária de sua vida naquele dia...

Mas, no dia seguinte, ao andar pela rua, eis que aparece em seu caminho uma jovem, aparentando uns 23 anos, que estava fazendo uma pesquisa de campo. Ao ver o rostinho triste de Fredegunda, puxa conversa para saber o que a fazia tão triste. Ao saber do motivo, seu coração derreteu... foi até o carro, onde estavam seus pertences, e pegou o Blaublau, ursinho de pelúcia que ganhar de sua avó. Fredegunda disse que não queria, pois achava que ele iria machucá-la como o antigo "mamônico", apesar de tê-lo achado lindo... A jovem entregou, e pediu para que aquela noite ela tentasse dormir com seu novo ursinho.

Fredegunda chegou em casa com o ursinho novo, feito de um material bem diferente dos retalhos que sua mãe costurara. Foi se deitar, e abraçou o Blaublau. Viu que ele era macio, e não machucava nem incomodava... ficou super feliz, e dormiu aquela noite acompanhada dos mais belos sonhos!

Ao crescer, conseguiu sair daquele ciclo de pobreza; estudou, trabalhou, teve uma família... quando perguntam sobre como ela conseguiu, ela responde:

"É preciso reconhecer que o problema não está nos 'bichinhos de brinquedo, e sim no material do qual são feitos; eles podem te trazer conforto ou incômodo, e cabe a você continuar com eles, desistir deles ou buscar outra alternativa."