segunda-feira, 31 de maio de 2010

Carta: DISCERNIMENTOS


Transcrevo aqui uma carta que enviei a alguns amigos que participam de um estudo/debate bíblico comigo, em resposta à questões sobre "A Ceia do Senhor" e "Batismo nas Águas" e seus "podes e não podes". Menos religião, mais espiritualidade e vida é o que almejo!

Quanto às nossas posições e às de nossas congregações em relação à “Ceia do Senhor” e ao “Batismo nas Águas”, devemos ter cautela, e saber que as coisas podem mudar de caso à caso, de pessoa à pessoa. Vou começar com minhas opiniões em relação à Ceia, mas como não quero tornar a leitura muito enfadonha, me permitirei não citar sistematicamente todos os versículos que embasam minha posição – até porque minha posição não é só baseada em versículo, mas também na práxis.

De um modo geral, em nossas igrejas evangélicas (leia-se as igrejas posteriores à Reforma, como a Metodista e suas “discípulas” como a Betesda) a Ceia é realizada como um memorial do sacrifício vicário de Cristo. Quando erguemos o pão e o vinho (que geralmente não é vinho!), trazemos à lembrança o corpo do Senhor que foi maltratado por amor à nós, e Seu sangue, que nos purifica de toda a mácula. Não cremos na transubstanciação como católicos, ortodoxos e outros reformados, tendo nos elementos verdadeiramente o corpo e sangue de Cristo. E por que digo isto tudo?

Imaginem a situação: na igreja, ao receber o pão, os pais dão um pedacinho para seus filhos, e isto acaba gerando algumas questões entre nós: será que pode? Por que não pode?

Se os pais estão simplesmente dando um pedaço de pão para seus filhos, mostrando um pouco deste ritual para eles, não há problema algum, creio eu! Mas, se os pais crêem numa sacralidade daqueles elementos, e os oferecem aos filhos com este espírito, creio estar errado! Existem muitas outras variáveis, e por isto, devemos ter uma ”regra geral” para as pessoas se guiarem em nosso ritual, mas em caso de dúvidas, analisar um caso específico para garantir a comunhão. Em um caso recente, um amigo foi reclamar para o pastor que o horário da Ceia havia sido mudado, e como ele não conseguia chegar na hora aos cultos, estava perdendo todas as Ceias celebradas; assim, ele pediu para que o pastor ministrasse a Ceia à ele após o culto, o que o pastor prontamente explicou que não seria o caso. Ora, este amigo perdeu um pouco o significado da Ceia, que é estarmos todos juntos celebrando ao Senhor, e que não havia sentido algum nele tomar a Ceia após o culto!!!

Em relação ao fato de que somente os batizados podem tomar a Ceia em nossa igreja, novamente uma regra geral, para não ficar tão bagunçado, mas é óbvio que é invenção nossa! Uma pessoa pode ter nascido do alto, e ainda não ter sido batizada, e se ela tomar a Ceia, não haverá mal algum, nem para ela, nem para ninguém, até porque o “tomar a Ceia sem discernir o corpo de Cristo” te a ver com pessoas que iam à congregação para participar da Ceia com gula, para comer bastante, enfim... e podemos ter pessoas que fizeram o curso de batismo, foram batizadas, e recebem a Ceia sem realmente ter nascido do alto, e tomar a Ceia não irá condená-la, colocá-la “em pecado” ou até dar dor de barriga!

Estamos vendo em nossos estudos que o que importa não é o que falamos, ou o que confessamos, ou ainda onde freqüentamos, mas como vivemos! O batismo vem a ser um “símbolo exterior de uma mudança interior”, e assim como a Ceia, aponta para algo maior; não pode de forma alguma ser um fim em si, pois se isto acontecer, teremos uma religião muito bem estruturada e sistematizada, mas uma espiritualidade rasa, que não vai ao profundo do coração.

Minhas opiniões não são leis, nem mesmo para mim; leia, pare, analise e faça com que tudo isto gere vida em seu coração e no de todos ao redor! Paz, sempre paz é o que desejo!

Kalil Bentes – 28/05/2010

ps.: o que vem a ser o Corpo de Cristo celebrado ne Ceia, senão a própria igreja?