quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

TEOLOGIA NO NOVO MUNDO


Deus é Deus. Ponto para mim. Bola dentro.

Se assumir que Deus é Deus, e que não sou Deus, logo Ele está acima do meu alcance; assim, tudo o que dEle compreendo foi me revelado por Ele próprio, e também que é de Seu agrado dar-se a conhecer; mas a maneira de se revelar tende a ser sutil, pois o objetivo não é simplesmente provar Sua existência, mas gerar filhos amigos através do amor.

Uma pessoa maior em poder dificilmente conseguirá respeito impondo-se, apenas temor, medo, greve, manifestações... Mas quando um poderoso chefão esquece suas divisas, e convida seus empregados para uma mesa de tira-gosto, bate-papo e cerveja, expõe sua personalidade e ganha a chance de verdadeiramente cativar seus companheiros ou de causar-lhes repulsa. Creio que Deus desta forma agiu – aliás, só entendo isto assim após refletir na maneira com que Jesus ensinou sobre o Reino de Deus.

E se tudo isto é verdade, para que teologia? De que vale uma ciência que busca compreender o incompreensível? Já ouvi falarem sobre o utópico ponto de partida de Sócrates “conhece-te a ti mesmo” (chegaremos ao último suspiro buscando o autoconhecimento...), mas a teologia me intriga!

É necessário que a teologia - como toda e qualquer ciência - admita sua estagnação e, ressignificando-se, mude o foco e continue a caminhada rumo ao futuro olhando para frente, como um bom trabalhador que trabalhe no arado não olhando para trás, deixando os sulcos tortos; é preciso parar, para aí sim olhar para trás, ver o que não está bom, e mudar se necessário para que seus ensinamentos sejam válidos para as questões de sua época.

O que a teologia tem a dizer sobre a pena de morte, aborto e homossexualismo num país laico ocidental?

Assim como a igreja não pode ser uma "turminha” reunida para adorar a Deus durante duas ou três horas no sétimo dia (sendo o primeiro domingo ou segunda-feira), mas deve se ressignificar para abraçar os problemas da sociedade moderna, a teologia deve trazer algo diferente de certezas sobre Deus: deve olhar para a história, lembrar onde foi que o ensino de Jesus foi “domesticado”, se arrepender de coração e se propor a dar boa parte para os necessitados, e se causou dano a alguém ressarcir-lhe em dobro!

É preciso pensar nas idéias e ideais que se fundiram à teologia cristã durante os séculos e ter a coragem de reafirmar velhas heresias ou abandonar antigas verdades, de salvar muitos hereges e bruxas das fogueiras ainda acesas ou ainda abandonar a teologia em prol de uma caminhada com Deus: adorá-lo menos e segui-lo mais!

Porque se a teologia se ocupar só de certezas, minha primeira linha será tudo que a teologia terá a dizer.