sexta-feira, 1 de outubro de 2010

METAMORFOSE AMBULANTE!!!

"Nada é estático;
A paisagem se modifica após uma chuva - que diria após um furacão!
Uma pessoa se modifica entre um dia e e outro;
E mudar o ponto de vista revela diferentes detalhes de um mesmo quadro."
KB

Neste espírito de mudança dou uma nova cara à meu blog, que se chamará simplesmente "BLOGANDO!". Ele simplesmente servirá de recipiente para as idéias que permeiam minha mente, sem nenhuma pretensão de ter a última palavra sobre qualquer assunto (mas com o direito reservado de ter a momentânea última palavra sobre minhas opiniões...). Escreverei sobre o que me interessar, e espero sim dar lenha ao debate de idéias, para que nossas mentes sejam sempre desafiadas à metamorfose.

Continuarei escrevendo sobre espiritualidade, cristianismo, música, política, filosofia, mas nada disso será meu blog; o centro deste blog será EU! Afinal, ninguém entende mais de EU do que eu!!!

Sem figuras nesta postagem... só para ilustrar a mudança de rumo!!!

Entre, fique à vontade! Até a próxima postagem!

sexta-feira, 23 de julho de 2010

PAULISTANO

Andando pelo centro da Sampa, vi melhor um pouco da história de meu povo guardada em cada prédio, em cada igreja e rua. Bati algumas fotos que estão em meu álmbum do Orkut, mas registro aqui o vídeo que gravei na caminhada pelo viaduto Santa Ifigênia.


video

segunda-feira, 19 de julho de 2010

UM PEDACINHO DE MIM


De um pedacinho de mim você apareceu,
E me fez radiar por te ter em meus braços;
Ao te olhar, de ternura plenifiquei-me,
Orgulho de ver beleza num pedacinho de mim.

Perceber que de mim aprendia,
E que meus gestos copiava, me explicou a responsabilidade;
Te ter escondida em meus braços, em meu peito,
Me ajudou a compreender a Divindade!

Pois assim, num pedacinho de mim,
Sempre te levava comigo onde quer que eu fosse;
Como o pólo que me define o norte,
Para tí sempre regressei.

Mas, se te moves para um longe geográfico,
Saibas que eu te tenho aqui pertinho!
Num pequeno pedaço de mim,
Mantenho a ternura de me abrigar em teu sorriso!

Você cresce, e cada vez mais te personaliza,
Em ti a cada dia terás mais de ti;
Felicidade sempre me acompanhará pela vida,
Se no meio da pessoa em que tornares,
Houver a te ajudar em teu caminho,
Um pedacinho de mim!

Leve para sempre meu coração,
Tenha-me sempre ao teu lado - será sempre um prazer!
Não há jeito: é teu e só teu
Este fragmento de gente que habitará teu coração,
Que reconhecerás como um "pedacinho do papai"!

Um pedacinho de mim...

quarta-feira, 30 de junho de 2010

A PARÁBOLA DO URSINHO MAMÔNICO


Fredegunda era uma pobre menininha. Vivia com seus pais numa casa de madeira em uma grande métropole, às margens do cuidado e condições mínimas de vida digna e de um corrego fedorento.
Durante seus dias, Fredegunda tinha para sua companhia um ursinho feito de retalhos por sua mãe, e recheado de mamonas, carocinhos espinhentos que crescem fácil neste tipo de ambiente.

Fredegunda brincava com o "ursinho mamônico" durante o dia, e à noite dormia agarradinha com ele.

Fredegunda foi crescendo, e ficando mais pesada; seu peso começou a fazer com que os espinhos das mamonas atravessassem os retalho dos quais era feito o ursinho, e a incomodassem durante a noite. Ela nunca tinho visto um bichinho de pelúcia, e tinha um carinho muito grande pelo seu "ursinho mamônico".

Num destes dias, chateada por ter sido tão espetada pelo ursinho, deixou-o de lado e resolveu que não queria mais isto. Passou a noite mais fria e solitária de sua vida naquele dia...

Mas, no dia seguinte, ao andar pela rua, eis que aparece em seu caminho uma jovem, aparentando uns 23 anos, que estava fazendo uma pesquisa de campo. Ao ver o rostinho triste de Fredegunda, puxa conversa para saber o que a fazia tão triste. Ao saber do motivo, seu coração derreteu... foi até o carro, onde estavam seus pertences, e pegou o Blaublau, ursinho de pelúcia que ganhar de sua avó. Fredegunda disse que não queria, pois achava que ele iria machucá-la como o antigo "mamônico", apesar de tê-lo achado lindo... A jovem entregou, e pediu para que aquela noite ela tentasse dormir com seu novo ursinho.

Fredegunda chegou em casa com o ursinho novo, feito de um material bem diferente dos retalhos que sua mãe costurara. Foi se deitar, e abraçou o Blaublau. Viu que ele era macio, e não machucava nem incomodava... ficou super feliz, e dormiu aquela noite acompanhada dos mais belos sonhos!

Ao crescer, conseguiu sair daquele ciclo de pobreza; estudou, trabalhou, teve uma família... quando perguntam sobre como ela conseguiu, ela responde:

"É preciso reconhecer que o problema não está nos 'bichinhos de brinquedo, e sim no material do qual são feitos; eles podem te trazer conforto ou incômodo, e cabe a você continuar com eles, desistir deles ou buscar outra alternativa."

domingo, 13 de junho de 2010

OS DISCURSOS AUSENTES: JESUS VAI VOLTAR - Por Paulo Brabo

Publicado no sáite da "Bacia das Almas" e escrito por Paulo Brabo. Link original: http://www.baciadasalmas.com/2010/os-discursos-ausentes-jesus-vai-voltar/ . Para degustar. Obrigado, Brabo.



O reino de Deus não vem com aparência exterior.
Nem dirão: “Aqui está ele!” ou: “Ali está ele!”
O reino de Deus está dentro de vocês.
Lucas 17:20,21

A apresentação exemplar da boa nova no livro de Atos não silencia apenas sobre céu, inferno e teologia substitutiva, mas deixa de mencionar o que talvez seria ainda mais óbvio e mais contundente: a doutrina da volta iminente de Jesus à terra (associada, naturalmente, ao fim do mundo e suas espetaculares implicações).

A volta de Jesus tem sido apresentada como iminente desde o princípio. Muitos evangélicos encontram indícios claros dessa iminência ainda hoje, no desenrolar dos conflitos no Oriente Médio, da mesma forma que seus pais os encontraram em cada detalhe do avanço soviético durante a Guerra Fria. Com a mesma escrupulosa paixão os cristãos de mil anos antes apontaram a chegada inevitável do fim diante da impensável aproximação do ano 1000, e seus descendentes repetiram-nos em 1666.

Num certo sentido, não é de estranhar que há dois mil anos cada geração venha se apropriando da iminência do fim e desenvolva, num misto de orgulho e terror, a premonição de que é a última. O próprio Jesus fala de sua volta como iminente, e é a mesma urgência que imprimem a ela os autores do Novo Testamento praticamente todas as vezes que falam do assunto.

Inteiramente alheios a essas ênfases e complicações, tanto o narrador quanto os promotores da boa nova no livro de Atos contornam por completo o assunto da volta de Jesus, deixando de mencionar a proximidade do fim (e até mesmo o conceito de fim) quando seria mais conveniente afirmá-la.

É uma ausência desconcertante porque o livro de Atos é o relato ideal do que viria a ser chamado de “missões”, e nada imprime um motor mais eficaz à atividade missionária do que um senso de urgência. A ideia de céu e inferno é capaz de imprimir ao discurso missionário um sentido claro de prioridade e emergência, mas como vimos, os protagonistas de Atos recusam-se a mencioná-los. Porém o conceito que transforma a evangelização numa verdadeira luta contra o tempo e a vida cristã numa bomba-relógio é o discurso da volta iminente de Jesus. Como demonstra a história posterior do cristianismo, nada empresta um maior sentido de prioridade à atividade de missões do que a ideia de que Jesus pode voltar a qualquer momento. Não é menos que notável, portanto, que a ênfase que viria virtualmente a guiar os esforços missionários posteriores seja omitida por completo no único livro missionário da Bíblia.

Nas poucas ocasiões em que faz referência a eventos futuros, a narrativa é propositalmente vaga. Perguntado sobre quando Israel terá sua independência restaurada, o ressuscitado aponta que absolutamente não cabe aos seus seguidores conhecer “os tempos e as estações”. Os homens de branco que ladeiam a ascensão informam que o ressuscitado “virá como vocês o viram subir”, mas não fornecem nenhum dado adicional que possa ser usada no jogo de antecipação da data final. O certo é que na descrição da expansão do movimento, quando a boa nova está sendo de fato apresentada, a volta de Jesus não é usada como argumento de evangelização – precisamente porque não é mencionada.

A dupla mensagem dessa ausência é clara: primeiro que (como sugerem os episódios do primeiro capítulo do livro) aos cristãos não cabe ocupar-se da tarefa de antecipar o fim ou de viver na sombra dele. Segundo que (como deixam claro os demais capítulos) a crença na volta de Jesus não deve estar situada no centro da exposição da boa nova, nem é ela que deve imprimir à evangelização a sua urgência.

O curioso é notar, então, que embora o livro de Atos transborde de um senso muito definido de urgência, em nenhum momento essa noção de urgência está nele associado à ideia da volta de Jesus (ou ao conceito correlato de céu e inferno). Se não é dessa fonte que extraem o seu senso de urgência, de onde os protagonistas de Atos a recebem?

Talvez seja sábio e necessário adiar uma resposta definitiva a essa pergunta. Por enquanto bastará que nos concentremos no que é certo: o livro de Atos, em sua posição de relato exemplar, recusa-se a posicionar o seu discurso no futuro. De forma consistente seus protagonistas recusam-se a, por assim dizer, extrair poder do futuro.

Porque da mesma forma que acontece com céu e inferno, quem recorre ao discurso do futuro acaba exercendo alguma forma de dominação. O futuro serve de advertência, de apaziguador, de ameaça, de promessa e de argumento, e pode ser dessa forma utilizado como mecanismo de controle – sendo “e se Jesus voltar enquanto você estiver no cinema?” apenas uma de suas formas.

Ao mesmo tempo em que recusa-se a posicionar o seu discurso no futuro, a narrativa faz questão de firmar todas as suas ênfases numa transformação da realidade que é, muito claramente, para o presente. Na visão do autor e dos protagonistas de Atos, a boa nova do reino tem implicações muito reais e emergentes para este mundo neste momento; arrepender-se é mudar o mundo a partir de agora, deixar de pecar é deixar de omitir-se a partir de agora. Retrato rigoroso desse sentimento urgente de subversão é o despojamento imediato e radical dos romeiros de Pentecostes, que abraçam sem trâmites a vocação de se tornarem agentes transformação social. Eles não só não se ocupam do futuro como zombam-lhe no rosto, deixando de preocupar-se com ele (e deixando, também imediatamente, de serem controlados por ele). No modo de vida que adotam o futuro não lhes diz respeito, a não ser o futuro que a diferença que fazem agora se mostrará capaz de oferecer a eles mesmos e aos outros. Em sua devoção, que é essencialmente existencial (“não se preocupem com o dia de amanhã”), ensinam-nos que a vocação cristã diz menos respeito a aguardar um mundo transformado do que a fazermos a nossa parte para transformá-lo neste preciso instante.

O discurso da volta de Jesus é de ruptura e de rompimento, de uma finalidade e uma glória que se alcançam em definitivo; não é de admirar que o autor de Atos decida omiti-lo, porque sua narrativa revela do começo ao fim uma revolução cuja expansão ninguém deve ser capaz de impedir, um movimento cujo final ninguém deve ser capaz de prever. É por isso que, embora tenha provavelmente sido escrita depois da morte de Paulo e da destruição do Templo de Jerusalém, a narrativa faça questão de não mencionar esses reveses, recusando-se ao mesmo tempo a encher a atmosfera de sombrios prenúncios deles. A postura dos discursos e da postura geral do livro de Atos é de que o presente é que é escatológico. Como seu discurso nunca está posicionado no futuro, o autor recusa-se a admitir para o movimento cristão a noção de tarefa completa e concluída. O próprio livro, para perplexidade dos leitores ao longo dos séculos, é deixado inconcluso: em sua cena final o apóstolo Paulo – representando ele mesmo a mensagem do reino – alcançou Roma, onde segue avançando “sem impedimento” e sem qualquer indício de ter encontrado a conclusão de sua vocação. O autor não oferece nem ao menos a profecia esperada e mais pia (e também a mais acurada), de que a mensagem de Paulo acabaria transformando o mundo – porque isso seria fazer o que ele decidiu não fazer, posicionar o seu discurso no futuro. Sua narrativa não se conclui; ele apenas deixa, em determinado momento, de contá-la – restando, ao invés de um senso de conclusão, a impressão de que nada será capaz de parar o que foi colocado em andamento.

***

Como o Novo Testamento não chega a fornecer uma imagem clara da natureza do fim e da volta triunfante de Jesus, com o tempo desenvolveram-se noções em parte coincidentes, em parte conflitantes, do que realmente representariam esses eventos.

Provavelmente a mais antiga é a representada pela pergunta dos discípulos no primeiro capítulo de Atos; de acordo com ela, Jesus voltaria à terra como libertador político, livrando Israel do jugo de Roma, assumindo o trono de Davi e restaurando magnificamente a independência da nação (segundo as exuberantes expectativas deitadas, por exemplo, pelo capítulo 60 de Isaías).

A segunda linha de interpretação, de contornos judaicos como a primeira mas menos política, associava a volta de Jesus à ressurreição (e julgamento) dos mortos e à destruição (e posterior restauração) da terra, dois eventos que já faziam parte do vocabulário dos apocalipses e dos profetas antes do nascimento de Jesus. Essa interpretação, que extrai suas imagens do livro de Apocalipse, das cartas de Pedro e dos evangelhos, postulava que Jesus desceria triunfalmente à terra e aqui assumiria o trono universal e a cadeira de juiz, a partir dos quais julgaria e recompensaria pelos seus atos os mortos ressuscitados. A terra como a conhecemos seria destruída (literal ou figurativamente pelo fogo), sendo substituída por uma nova terra, justa e pacífica, porém – podemos supor – tão inseparável quanto esta da realidade “física”.

Da terceira linha de interpretação há muitas variações igualmente populares; o que têm em comum é que enfatizam céu e inferno e uma existência eterna “espiritual” – omitindo muitas vezes a ressurreição literal dos mortos e tomando a “nova terra” como sendo metáfora para o paraíso imaterial, que vem também chamado de “glória”. Segundo essa versão, desenvolvida primariamente a partir de indicações de Paulo, não é que Jesus descerá para habitar em definitivo uma nova terra; os crentes é que subirão para estar definitivamente com ele no céu de sempre.

Finalmente, uma outra linha de interpretação, da qual haverá talvez um número cada vez maior de defensores, sugere simplesmente que a volta de Cristo não deve ser entendida literalmente – ou, mais propriamente, que deve ser entendida literalmente na figura de seus seguidores na terra. Os proponentes dessa visão, e de vez em quando sou um deles, encontram fundamento para sua interpretação nas mais variadas fontes – sendo que a menos importante não será o próprio Jesus de Lucas, que quando perguntado sobre a iminência do reino observa muito candidamente “o reino não vem com aparência exterior”… “o reino está dentro de vocês”. Se essa não é a descrição de uma metáfora, não sei dizer o que é. Outra indicação da natureza vicária da volta de Jesus em seus seguidores é, significativamente, o próprio livro de Atos, que se propõe a descrever “o que Jesus continuou a fazer e a ensinar” (1:1), ao mesmo tempo em que se cala sobre sua volta literal iminente.

Neste ponto do nosso trajeto, o que há de certo sobre a volta de Jesus é que os protagonistas da evangelização exemplar de Atos não ocuparam-se do assunto. Essa omissão contém sua própria ênfase e seu próprio significado. Como vai ficando claro, os que se agregavam ao movimento enxergavam que sua vocação era tornarem-se testemunhas perenes de um evento e de uma Pessoa – e entendiam que isso implicava em se tornarem continuadores efetivos e muito literais da obra de inclusão e transformação a que Jesus havia dado início. Não temos como saber se silenciaram sobre o futuro porque não esperavam nada dele; o absolutamente certo é que acreditavam que tinham, no fulcro sem fim do momento presente, muito que fazer.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Carta: DISCERNIMENTOS


Transcrevo aqui uma carta que enviei a alguns amigos que participam de um estudo/debate bíblico comigo, em resposta à questões sobre "A Ceia do Senhor" e "Batismo nas Águas" e seus "podes e não podes". Menos religião, mais espiritualidade e vida é o que almejo!

Quanto às nossas posições e às de nossas congregações em relação à “Ceia do Senhor” e ao “Batismo nas Águas”, devemos ter cautela, e saber que as coisas podem mudar de caso à caso, de pessoa à pessoa. Vou começar com minhas opiniões em relação à Ceia, mas como não quero tornar a leitura muito enfadonha, me permitirei não citar sistematicamente todos os versículos que embasam minha posição – até porque minha posição não é só baseada em versículo, mas também na práxis.

De um modo geral, em nossas igrejas evangélicas (leia-se as igrejas posteriores à Reforma, como a Metodista e suas “discípulas” como a Betesda) a Ceia é realizada como um memorial do sacrifício vicário de Cristo. Quando erguemos o pão e o vinho (que geralmente não é vinho!), trazemos à lembrança o corpo do Senhor que foi maltratado por amor à nós, e Seu sangue, que nos purifica de toda a mácula. Não cremos na transubstanciação como católicos, ortodoxos e outros reformados, tendo nos elementos verdadeiramente o corpo e sangue de Cristo. E por que digo isto tudo?

Imaginem a situação: na igreja, ao receber o pão, os pais dão um pedacinho para seus filhos, e isto acaba gerando algumas questões entre nós: será que pode? Por que não pode?

Se os pais estão simplesmente dando um pedaço de pão para seus filhos, mostrando um pouco deste ritual para eles, não há problema algum, creio eu! Mas, se os pais crêem numa sacralidade daqueles elementos, e os oferecem aos filhos com este espírito, creio estar errado! Existem muitas outras variáveis, e por isto, devemos ter uma ”regra geral” para as pessoas se guiarem em nosso ritual, mas em caso de dúvidas, analisar um caso específico para garantir a comunhão. Em um caso recente, um amigo foi reclamar para o pastor que o horário da Ceia havia sido mudado, e como ele não conseguia chegar na hora aos cultos, estava perdendo todas as Ceias celebradas; assim, ele pediu para que o pastor ministrasse a Ceia à ele após o culto, o que o pastor prontamente explicou que não seria o caso. Ora, este amigo perdeu um pouco o significado da Ceia, que é estarmos todos juntos celebrando ao Senhor, e que não havia sentido algum nele tomar a Ceia após o culto!!!

Em relação ao fato de que somente os batizados podem tomar a Ceia em nossa igreja, novamente uma regra geral, para não ficar tão bagunçado, mas é óbvio que é invenção nossa! Uma pessoa pode ter nascido do alto, e ainda não ter sido batizada, e se ela tomar a Ceia, não haverá mal algum, nem para ela, nem para ninguém, até porque o “tomar a Ceia sem discernir o corpo de Cristo” te a ver com pessoas que iam à congregação para participar da Ceia com gula, para comer bastante, enfim... e podemos ter pessoas que fizeram o curso de batismo, foram batizadas, e recebem a Ceia sem realmente ter nascido do alto, e tomar a Ceia não irá condená-la, colocá-la “em pecado” ou até dar dor de barriga!

Estamos vendo em nossos estudos que o que importa não é o que falamos, ou o que confessamos, ou ainda onde freqüentamos, mas como vivemos! O batismo vem a ser um “símbolo exterior de uma mudança interior”, e assim como a Ceia, aponta para algo maior; não pode de forma alguma ser um fim em si, pois se isto acontecer, teremos uma religião muito bem estruturada e sistematizada, mas uma espiritualidade rasa, que não vai ao profundo do coração.

Minhas opiniões não são leis, nem mesmo para mim; leia, pare, analise e faça com que tudo isto gere vida em seu coração e no de todos ao redor! Paz, sempre paz é o que desejo!

Kalil Bentes – 28/05/2010

ps.: o que vem a ser o Corpo de Cristo celebrado ne Ceia, senão a própria igreja?

sábado, 3 de abril de 2010

GENTILEZA: A CURA DA INDIFERENÇA (pequeno conto)




José era um professor, daqueles que adoram lecionar. Dava aulas cada dia em um local diferente; sua paixão por lecionar vinha da esperança de fomentar em jovens um espírito guerreiro que os levasse à Revolução Interior, uma metanóia que desencadearia na tão sonhada sociedade fraternal. Para uns locais pegava condução, para outros ia a pé, o dinheiro ainda não dava para ter um carro.

Nestas andanças tinha bastante tempo para pensar, e muitas vezes sentia-se triste, pois apesar dos muitos alunos e de sua linda família, sentia-se só e anônimo: frustrado por não enxergar muitos sinais de mudança em seus pupilos.


João era catador de lixo. Na verdade, não era lixo mesmo, ele catava papelão, garrafas pet de plástico, vidro, latas de alumínio, e as vendia para reciclagem. Sem saber, ajudava a cidade dos aristocratas paulistanos a não se afogar em seus próprios detritos. Arrastava durante o dia inteiro um carinho hand-made cheio do material que viria a ser o sustento de sua linda e sofrida família, que morava numa casa de madeira e papelão num disputado lote de terra embaixo de um dos muitos elevados de Mamãe Sampa.

Andava muito a pé, sob sol quente e garoa fina e fria; nestas andanças, pensava muito, e quando esquecia um pouco aquela vontade que lhe dava de tomar uma cana para esquentar a goela e encorajá-lo a caminhar sobre pés doloridos, sentia-se frustrado por passar por multidões como um fantasma sem ser notado, entristecia-se por não ter a mesma sorte que eles. Sentia-se anônimo.


Naquela terça-feira José saira mais cedo do colégio, e resolveu andar até sua casa. Tomou coragem, encarou o sol quente das 16:45 hs e bateu perna. Avistou à frente, com a garaganta já secando, um andarilho com seu boné sujo sob o mesmo sol puxando um carro com sucata que se estendia a 2,5 mts. do solo. Pensou consigo: "Cara, como este companheiro consegue suportar isso?" e continuou a caminhar em direção ao homem sofrido.

Era João, que fazia uma força tremenda para puxar o carro com pneus carecas de um fusca à muito já transformado em lata de sardinha, sem um pingo de graxa nos rolamentos, aventurando-se entre carros e caminhões, deixando a esquerda livre para ultrapassagem. Enquanto se aproximava de José, avistou em sua mão um livro, e conseguiu ler a palavra "filosofia" em sua capa. Pensou: "Deve ser bacana saber destas coisas". Parou para recolher caixas de papelão que se amontovam aos pés de um poste, enquanto José se aproximava mais.


Os dois trocaram olhares, e cordialmente José o cuprimentou com um aceno, respondido por João com um "Olá, filósofo!". José impressionou-se com a observação do andarilho: "Olá, companheiro! Sol quente, né?!?!", respondido com João limpando com as mãos o suor da testa, enquanto carregava o carrinho. "Qual é o teu nome?" - arriscou-se João, que recebeu em resposta: "Sou o José". Como já havia terminado de carregar de papelão seu carrinho, João se despediu, desejando um bom descanso para José, que agradeceu e perguntou seu nome: "Meu nome é João". Acenos, e cada qual seguiu seu caminho, pensando em como foi inusitado aquele rápido encontro.


Dias depois, ao sair de uma escola numa quinta-feira, José depara-se com o mesmo andarilho que o havia encontrado naquele dia. "Qual é mesmo o seu nome?" , pensou fazendo força sem sucesso para lembrar o nome do companheiro. O cumprimenta dizendo: "Boa tarde, companheiro!" , ao qual João responde de bate-pronto: "Boa tarde José!" . Eles se olharam, e seguiram seu caminho.


Na cabeça de José, enquanto seu coração acelereva emociondo, ele pensava "...ele lembrou do meu nome! Puxa vida, que gentil!"


Enquanto puxava sua carrocinha, João lacrimejava com um largo sorriso nos olhos pensando: "Que bacana este cara, por 2 vezes me olhou nos olhos e me cumprimentou! Gente boa ele!!!"


Naquele dia, ambos foram para casa curados da indiferença que os matava; e mesmo que ainda se entristeçam, lembram-se de como a gentileza de uma pessoa foi tão marcante em suas vidas, a ponto de devolver-lhes a coragem necessária à vida.


Uma lição que deve ser aprendida por todo aquele que ousar tomar o nome de Cristo por mestre, mentor, grande pensador ou pedagogo, ou Deus; pois seu chamado inclui fazer as suas obras, com o mesmo coração e Espírito disposto.

segunda-feira, 29 de março de 2010

O SERMÃO DA MONTANHA - versão para professores(as)




Naquele tempo, Jesus subiu a um monte seguido pela multidão e, sentado sobre ma grande pedra, deixou que os seus discípulos e seguidores se aproximassem. Ele os preparava para serem os educadores capazes de transmitir a lição da Boa Nova a todos os homens.
Tomando a palavra, disse-lhes: “Em verdade, em verdade vos digo: Felizes os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus. Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. Felizes os misericordiosos, porque eles...”

Pedro o interrompeu: "Mestre, vamos ter que saber isso de cor?
"

André disse: "É pra copiar no caderno?"

Filipe lamentou-se: "Esqueci meu papiro!"

Bartolomeu quis saber: "Vai cair na prova?"

João levantou a mão: "Posso ir ao banheiro?"

Judas Iscariotes resmungou: "O que é que a gente vai ganhar com isso?"

Judas Tadeu defendeu-se: "Foi o outro Judas que perguntou!"

Tomé questionou: "Tem uma fórmula pra provar que isso tá certo?"

Tiago Maior indagou: "Vai valer nota?"

Tiago Menor reclamou: "Não ouvi nada, com esse grandão na minha frente."

Simão Zelote gritou, nervoso: "Mas porque é que não dá logo a resposta e pronto!?"

Mateus queixou-se: "Eu não entendi nada, ninguém entendeu nada!"

Um dos fariseus, que nunca tinha estado diante de uma multidão nem ensinado nada a ninguém, tomou a palavra e dirigiu-se a Jesus, dizendo: "Isso que o senhor está fazendo é uma aula? Onde está o seu plano de curso e a avaliação diagnóstica? Quais são os objetivos gerais e específicos? Quais são as suas estratégias para recuperação dos conhecimentos prévios?"

Caifás emendou: "Fez uma programação que inclua os temas transversais e atividades integradoras com outras disciplinas? E os espaços para incluir os parâmetros curriculares gerais? Elaborou os conteúdos conceituais, processuais e atitudinais?"

Pilatos, sentado lá no fundão, disse a Jesus: "Quero ver as avaliações da primeira, segunda e terceira etapas e reservo-me o direito de, ao final, aumentar as notas dos seus discípulos para que se cumpram as promessas do Imperador de um ensino de qualidade. Nem pensar em números e estatísticas que coloquem em dúvida a eficácia do nosso projeto. E vê lá se não vai reprovar alguém! Lembre-se que você ainda não é professor titular..."

Jesus deu um suspiro profundo, pensou em ir à sinagoga e pedir aposentadoria proporcional aos trinta e três anos. Mas, tendo em vista o fator previdenciário e a regra dos 95, desistiu.

Pensou em pegar um empréstimo consignado com Zaqueu, voltar pra Nazaré e montar uma padaria...

Mas olhou de novo a multidão. Eram como ovelhas sem pastor... Seu coração de educador se enterneceu e Ele continuou: "Felizes vocês, se forem desrespeitados e perseguidos, se disserem mentiras contra vocês por causa da Educação. Fiquem alegres e contentes, porque será grande a recompensa no céu. Do mesmo modo perseguiram outros educadores que vieram antes de vocês".

Tomé, sempre resmungão, reclamou: "Mas só no céu, Senhor?"

"Tem razão, Tomé" - disse Jesus, "...há quem queira transformar minhas palavras em conformismo e alienação.. Eu lhes digo, NÃO! Não se acomodem. Não fiquem esperando, de braços cruzados, uma recompensa do além. É preciso construir o paraíso aqui e agora, para merecer o que vem depois..."

E Jesus concluiu: "Vocês, meus queridos educadores, são o sal da terra e a luz do mundo..."

Texto de abertura do Programa Rádio Vivo — Rádio Itatiaia, Belo Horizonte — de 15/10/2009, texto do professor Eduardo Machado.

domingo, 21 de março de 2010

MANIFESTO EM FAVOR DO "K"


Kero saber por kê ke existindo esta letra tão bacana em nosso alfabeto, continuamos com a besteira de usar o inútil "Q" seguido de um "U" para grafar seus fonemas. Um "Q" tão inútil, ke em português não existem palavras assim:

qa - qe - qi - qo - qu (a não ser ke você vá para o Qatar...)

Para kê o "Q"???

Viva o "K"!!!

Coma keijo, keira o bem do próximo, keime pêlos no fogo, ou seja, faça tudo o ke for legal fazer com a letra "K", a maior injustiçada na "reforma ortográfica" (sic) e banam o "Q" para bem longe, talvez um monastério nas Índia Ocidentais .

Kalil Bentes

quinta-feira, 18 de março de 2010

ALGUMAS MANEIRAS DE MUDAR O MUNDO



- Pais, deixem seus filhos brincar; a sua aprendizagem é lúdica;

- Jovens, aprendam que o seu gosto pessoal não é determinado nem imposto, e sim escolhido por vós;

- Política não existe a cada dois anos, e sim nas mesas de bares, igrejas, blogs, fóruns virtuais, escolas e até nas faculdades!!!;

- Quando uma classe reivindicar melhores condições através da greve, ao invés de maldizê-los, liguemos nossas rádios na Kiss FM, e entendamos que esta é muitas vezes o único meio de defesa de simples operários contra poderosos empresários;

- Todo político é corrupto??? Então candidate-se VOCÊ a um cargo público;

- Aprenda artes para ser um ser humano melhor; desta forma ela terá um efeito maior e mais poderoso em sua área de atuação profissional;

- Junte os amigos e conhecidos e assista a uma votação de projetos de lei na Câmara dos Deputados e Vereadores;

- Vida de qualidade inclui diversão, mas não somente ela;

- Ser cidadão é um grande poder, e como tio Ben diria, "Grandes poderes vêm acompanhados de grandes responsabilidades";

- Músicos, existem formas dignas de ganhar a vida: não se rendam às palhaçadas do carnaval; não compactuem com a arte, cultura, responsabilidade e dignidade sendo jogadas na lata do lixo durante festa e bailes;

- Cristãos, não usem o nome de Deus em vão: falem menos, sejam mais!;

- Maconheiros, plantem suas folhas: não enriqueçam os traficantes que sequestram seus pais, irmãos e filhos;

- Não se iluda se omitindo: deixar de escolher não só é uma escolha como é a pior delas;

Quem souber de mais coisas, não deixe de postar!

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

METRÔNOMO PARA CELULAR - Download

Uma coisa que nunca pôde faltar nas minhas horas de estudo e nas aulas que ministro é o metrônomo; é indispensável!!! Melhor do que ter um metrônomo em mãos é tê-lo instalado no celular para evitar ficar carregando trocentas coisas por aí. Neste link você pode baixar um bom metrônomo para seu celular; visite a página e veja qual melhor se adapta ao teu aparelho.

http://software.aziraphal.com/Metronome.php

Escrevam se houver algum problema com o link.

Grande abraço!

domingo, 24 de janeiro de 2010

O POUCO GOSPEL E O MUITO CRISTÃO - por Carlo Carrenho


Copiei este ótimo texto de Carlo Carrenho do site Cristianismo Hoje em http://cristianismohoje.com.br/ch/o-pouco-gospel-e-o-muito-cristao/ por ele expressar resumidamente muito daquilo que entendo por música gospel; começo aqui a esclarecer aos amigos e leitores porque "desencanei" de tocar gospel e só toco música desvinculada de rótulos religiosos. Afinal o que é secular? Será que as letras das músicas entoadas nas igrejas de hoje - católicas, evangélicas e cia. ltda. - não são até nocivas à uma espiritualidade responsável e sadia? Loading...


Só uma palavra define música gospel: mercado.



Não entendo música gospel. Pior, não gosto de música gospel. E não gosto porque ela simplesmente não faz sentido, não se explica. Trata-se do único “estilo” musical que independe do estilo musical. Já existe rock gospel, samba gospel, pagode gospel, sertanejo gospel e o escambau gospel. Mas o problema é que a tal música gospel não se define.


Música gospel não se define pela temática. Caso contrário, Gilberto Gil e Renato Russo teriam de ser rotulados de góspeis com suas canções Se eu quiser falar com Deus e Monte Castelo, respectivamente. A primeira é uma ode à oração e a segunda, uma adaptação de I Coríntios 13. Música gospel também não se define pela opção religiosa de seus intérpretes ou compositores. Fosse assim, a arte produzida por Johan Sebastian Bach e por uma certa banda de Dublin teria de ser chamada de gospel.


Música gospel não se define tampouco como música litúrgica. Afinal, faz tempo que ela deixou a igreja para invadir palcos, shows e rádios mundo afora. A música gospel do século 21 possui objetivos muito maiores do que a tradicional função de adoração, louvor e introspecção da música litúrgica – embora, claro, ainda possa eventualmente cumprir esta função.


Mas então, o que define a música gospel? Só consigo pensar em uma palavra: mercado. A definição musical de gospel é antes de tudo mercadológica. Música gospel é aquela feita por evangélicos para evangélicos, de crente para crente, delimitando assim uma área de atuação e ganhando força comercial por meio de uma rotulação excludente. Até aí, tudo bem; qual seria o problema? Bem, o problema é que este tipo de música apenas alimenta e faz crescer o muro que construímos em volta de nosso gueto cristão. Contrariando afrontosamente o chamado de Jesus em Mateus 5.13 – “Vós sois o sal da terra” –, estamos nos fechando cada vez mais em nosso gueto, em nosso mundinho gospel, limitando nosso relacionamento e vivência com o mundo, tanto com seu lado impuro quanto com seu lado neutro ou simplesmente laico. E a tal de música gospel serve muito bem a este isolamento, impedindo que sejamos sal e que testemunhemos.


Os grandes músicos cristãos, verdadeiros missionários, são aqueles que levam a mensagem cristã ao mundo, sem se pré-rotularem de gospel, sem colocar o mercado à frente da mensagem e que, curiosamente, acabam por conquistar o mundo justamente pela sua atitude. E vamos dar nomes a alguns bois. Sou fã da música cristã do Bono Vox e do Lenny Kravitz. O vocalista do U2 dispensa apresentações. Filho de mãe anglicana e pai católico, Bono conviveu com a divisão religiosa desde pequeno em sua própria casa. “Eu lembro de minha mãe levando eu e meu irmão à igreja e meu pai esperando lá fora. Uma das coisas que aprendi com minha mãe e meu pai é que a religião frequentemente prejudica Deus”, já declarou a celebridade irlandesa. Ainda assim, a fé de Bono sobreviveu e ele leva uma vida de acordo com os preceitos do cristianismo.


Mas estamos aqui para falar de música, e este trecho da letra de "I still haven’t found what I am looking for" é um verdadeiro hino à fé:

Eu acredito no Reino Vindouro
Quando todas as cores sangrarão em uma
Sangrarão em um só
Mas, sim, eu ainda estou correndo
Você quebrou as cadeias
E você soltou as correntes
Carregou a cruz
Da minha vergonha
Oh, minha vergonha
Você sabe que eu acredito


Já Lenny Kravitz eu descobri recentemente, quando tive a chance de assistir um de seus shows. Curti muito e depois do show fui pesquisar a vida deste filho de pai judeu e mãe negra. A primeira surpresa veio quando descobri que ele tem uma tatuagem com os seguintes dizeres: “Meu coração pertence a Jesus Cristo”. Depois, lendo suas entrevistas, soube que ele se converteu aos 13 anos por meio de um amigo e que sentiu fisicamente a presença de Deus no quarto em que estava naquele momento. Recentemente, tem se declarado casto, evitando uma atitude hipócrita em relação aos preceitos cristãos em que acredita. Mas e a música deste multinstrumentista novaiorquino? O que ela tem de cristã? Responda você mesmo depois de conhecer a letra de The Ressurrection:


Se você sentisse o que eu posso sentir
Bem, então você saberia que seu amor é real
Se você ouvisse o que eu posso ouvir
Bem, então você saberia que o Rei está próximo
A ressurreição está aqui para ficar
E ele está voltando de novo
Para resgatar suas almas e nos tornar livres
A ressurreição está aqui para dizer
Que ele está voltando de novo
Veja o que ele fez comigo
Agora eu vivo em outro tempo e espaço
Ele andou no caminho da retidão
Para nos proteger da ira de Satanás
Não estamos sozinhos
E estamos indo para casa


Alguma dúvida?

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

TEOLOGIA NO NOVO MUNDO


Deus é Deus. Ponto para mim. Bola dentro.

Se assumir que Deus é Deus, e que não sou Deus, logo Ele está acima do meu alcance; assim, tudo o que dEle compreendo foi me revelado por Ele próprio, e também que é de Seu agrado dar-se a conhecer; mas a maneira de se revelar tende a ser sutil, pois o objetivo não é simplesmente provar Sua existência, mas gerar filhos amigos através do amor.

Uma pessoa maior em poder dificilmente conseguirá respeito impondo-se, apenas temor, medo, greve, manifestações... Mas quando um poderoso chefão esquece suas divisas, e convida seus empregados para uma mesa de tira-gosto, bate-papo e cerveja, expõe sua personalidade e ganha a chance de verdadeiramente cativar seus companheiros ou de causar-lhes repulsa. Creio que Deus desta forma agiu – aliás, só entendo isto assim após refletir na maneira com que Jesus ensinou sobre o Reino de Deus.

E se tudo isto é verdade, para que teologia? De que vale uma ciência que busca compreender o incompreensível? Já ouvi falarem sobre o utópico ponto de partida de Sócrates “conhece-te a ti mesmo” (chegaremos ao último suspiro buscando o autoconhecimento...), mas a teologia me intriga!

É necessário que a teologia - como toda e qualquer ciência - admita sua estagnação e, ressignificando-se, mude o foco e continue a caminhada rumo ao futuro olhando para frente, como um bom trabalhador que trabalhe no arado não olhando para trás, deixando os sulcos tortos; é preciso parar, para aí sim olhar para trás, ver o que não está bom, e mudar se necessário para que seus ensinamentos sejam válidos para as questões de sua época.

O que a teologia tem a dizer sobre a pena de morte, aborto e homossexualismo num país laico ocidental?

Assim como a igreja não pode ser uma "turminha” reunida para adorar a Deus durante duas ou três horas no sétimo dia (sendo o primeiro domingo ou segunda-feira), mas deve se ressignificar para abraçar os problemas da sociedade moderna, a teologia deve trazer algo diferente de certezas sobre Deus: deve olhar para a história, lembrar onde foi que o ensino de Jesus foi “domesticado”, se arrepender de coração e se propor a dar boa parte para os necessitados, e se causou dano a alguém ressarcir-lhe em dobro!

É preciso pensar nas idéias e ideais que se fundiram à teologia cristã durante os séculos e ter a coragem de reafirmar velhas heresias ou abandonar antigas verdades, de salvar muitos hereges e bruxas das fogueiras ainda acesas ou ainda abandonar a teologia em prol de uma caminhada com Deus: adorá-lo menos e segui-lo mais!

Porque se a teologia se ocupar só de certezas, minha primeira linha será tudo que a teologia terá a dizer.