quinta-feira, 2 de julho de 2009

PREDESTINADO À SENHOR DO DESTINO

Por Kalil Bentes

Desde criança venho pensando sobre como é que é esse papo de Deus conhecer o futuro; ficava tentando imaginar como Deus via as pessoas, os animais, enfim, o mundo inteiro caminhando. Lembro-me que o que consegui imaginar foi uma pessoa tomando uma decisão, e Deus conhecendo o leque de possibilidades que se abriam após esta decisão; e imaginei também que Deus já sabia qual era a decisão que eu iria tomar poucos instantes antes, pois havia lido em algum lugar da Bíblia algo como “antes que a palavra me venha à boca, Tu a conheces, Senhor”. Foram as primeiras impressões que tive sobre o assunto.

Hoje, tendo lido diversos pensadores cristãos de diversas vertentes e pensadores ateus, através de livros, sites e blogs, se me perguntarem se creio que Deus não só conhece o futuro, mas que já definiu toda a história desde a fundação do mundo, eu responderei: não! Não há como conciliar amor com controle (Deus não tem amor; Deus é Amor! Amor não é atributo de Deus, e sim Sua natureza.); minha cabeça não consegue imaginar isto, pois são coisas completamente CONTRADITÓRIAS, e se tem algo que Deus não pode ser é incoerente (primeira prova de que algo que o Todo-Poderoso não possa fazer não o diminui). E pelo que tenho visto e lido, não é só em minha cabeça que estas contradições não cabem, mas também nas de inúmeros homens de Deus, católicos, presbiterianos, metodistas, judeus, e de vários pensadores céticos que gostariam de crer.

Sei que ao andar por este caminho, muitos podem me dizer que estou “tirando de Deus” Sua ONIPOTÊNCIA, ONICIÊNCIA E ONIPRESENÇA; mas quero frisar que o ato criativo do Pai fez com que Ele se diminuísse, fosse “menos”, pois Deus antes a criação era tudo; Deus após a criação = Deus – criação; caso contrário, seríamos panteístas, ok??? Deus definitivamente não está na criação (a não ser nos seres humanos... mas já falei sobre isto aqui, ok?!?!). E Deus, que tudo pode, ao abrir mão do controle total sobre Sua criação confirma Sua Onipotência ao invés de nega-la.

Mas é claro que eu não sou teólogo formado, nem filósofo, apesar de ler e pensar bastante sobre tais assuntos; sendo assim, minhas conclusões não precisam ser levadas à sério, e você, caro leitor ortodoxo, pode ficar bravo comigo; mas não fique assim. Se você crê firmemente que Deus já prescreveu cada passo nosso na história, ao escrever este artigo eu estaria apenas andando sobre os trilhos do meu dstino; Deus seria o “culpado” de eu ter registrado estas palavras, e você não poderia questionar Sua sabedoria e vontade soberana que me predestinaram a questionar. Assim sendo, continuamos irmãos,

“e o sangue de Jesus nos purifica de todo pecado” – I João 1, 7.